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Vacinação de cães e gatos

Atualizado: Abr 13


A vacinação trata-se de um manejo preventivo de doenças infecciosas, com o objetivo de proteger o animal de enfermidades graves e de alta incidência na região.


As vacinas não existem apenas para proteger o animal, individualmente, mas também para gerar a “imunidade de rebanho” que é responsável por evitar surtos de doenças infecto-contagiosas e até mesmo para garantir a saúde pública, evitando a disseminação de zoonoses.


A grande parte dos tutores sabe a importância de vacinar o filhote, mas muitas vezes se esquecem do reforço anual necessário na maioria das vacinas para manter o pet protegido. Então, neste texto iremos esclarecer melhor sobre o esquema de vacinação de cães e gatos.


É importante ressaltar que a vacinação do animal deve ser sempre realizada por um médico veterinário, visto que este profissional está ciente e capacitado a respeito das necessidades de transporte e manuseio da vacina, garantindo a viabilidade desta. Previamente, também é preciso que o animal passe por um exame clínico veterinário, para assegurar que ele está apto a receber a vacina.


Vacinação de cães

Podemos dividir as vacinas em essenciais e não essenciais. As essenciais devem ser aplicadas em todos os animais independente da região e da susceptibilidade do cão, visto que protegem contra doenças graves ou fatais, sendo estas a cinomose, parvovirose, raiva e adenovirose. Já as não essenciais, devem ser utilizadas em cães de regiões específicas ou com estilo de vida que os expõe mais a certas enfermidades, como leptospirose, leishmaniose, tosse dos canis e giardíase.


Atualmente, no Brasil, temos as vacinas polivalentes que protegem o animal contra a cinomose; parvovirose; coronavirose; adenovirose; parainfluenza e leptospirose. As vacinas múltiplas podem gerar dúvida entre a óctupla (V8) e déctupla (V10), a diferença entre elas é a adição de sorovares de Leptospira específicos. A escolha ideal para o seu pet, cabe ao médico veterinário que vai avaliar a prevalência do sorovar na região e o risco de exposição do cachorro de acordo com o ambiente em que vive e seus hábitos.


A vacinação antirrábica é obrigatória por lei e é oferecida pelas prefeituras municipais, gratuitamente em campanhas anuais, mas também pode ser administrada em consultórios, clínicas e hospitais veterinários.


Sobre as vacinas não essenciais, a Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) contraindica a vacinação contra giardíase, devido à falta de evidência científica sobre sua eficácia. Já a vacina contra leishmaniose é indicada para cães soronegativos em áreas endêmicas, como Belo Horizonte, mas sempre deve ser associada ao uso de inseticidas e coleiras repelentes.


Todo filhote deve ser vacinado com as vacinas essenciais, mas o momento em que isso ocorre é crucial, visto que antes das 6 semanas de vida ele ainda possui anticorpos maternos que poderão afetar a eficácia da vacina e também é nesta idade que o animal começa a explorar o ambiente se tornando mais susceptível a doenças. Assim, o ideal é que o filhote inicie o protocolo vacinal com a múltipla com 6 a 8 semanas de idade, recebendo doses de reforço com intervalo de 2 a 4 semanas, até os 4 meses, momento em que ele receberá a vacina antirrábica e com isso, finaliza o protocolo do filhote, mantendo o reforço de ambas as vacinas anualmente.


Vacinação de gatos

Para gatos, as vacinas essenciais são contra raiva, panleucopenia, calicivirose e rinotraqueíte. A vacina contra a leucemia felina (FeLV) é considerada não essencial, mas é altamente recomendada em regiões endêmicas, como o Brasil, devido à gravidade da doença. Já a vacinação contra peritonite infecciosa felina (PIF) não é recomendada pelo WSAVA, pela falta de evidência científica.


Os felinos também estão incluídos na campanha de vacinação antirrábica e é muito importante levá-los para a aplicação da vacina, visto que a raiva é uma doença letal e pode ser transmitida para os humanos.Também temos disponíveis as vacinas múltiplas para gatos, sendo elas a tríplice que protege contra a rinotraqueíte, panleucopenia e calicivirose, a quádrupla, que além das doenças anteriores protege contra a clamidiose e a quíntupla, que previne também contra a FeLV. A idade de vacinação é a mesma dos cães, iniciando com o protocolo com a múltipla às 6 semanas de idade, com 3 doses de reforço em intervalos de 21 dias, e finalizando com a antirrábica aos 4 meses.


Em felinos, outro fator que deve-se atentar é o local da vacinação, visto que esta espécie pode ser acometida pelo sarcoma de aplicação, um tumor que se forma por reação inflamatória crônica no local de aplicação de medicamentos. Assim, é preconizada a vacinação nos membros ou na cauda do animal e registro do local no cartão de vacina. No entanto, ainda há controvérsia sobre esta conduta, ficando a critério do médico veterinário o local de vacinação. O sarcoma não é um fator de contraindicação para vacinar seu pet, pois a prevalência do câncer é de 1 para cada 5.000 a 12.500 gatos vacinados, sendo que o benefício da proteção contra doenças infecto-contagiosas supera o risco de desenvolvimento do tumor.


Tabela 1: Vacinas essenciais cães e gatos



Por fim, vale ressaltar que o esquema de vacinação pode ser variável de acordo com a localização geográfica devido a presença e incidência de algumas doenças. Canis, gatis e abrigos também podem possuir esquemas de vacinação diferenciados devido às particularidades destes sistemas.


Conhecer e respeitar o calendário vacinal é de extrema importância para a saúde do animal e da população como um todo. Neste contexto, a Vetjr. auxilia ao tutor/produtor neste planejamento e cuidado com os pets.


Escrito por: Marina Andrade.


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