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RESISTÊNCIA A DESINFETANTES EM CLÍNICAS, CANIS E GATIS


A limpeza e a desinfecção são consideradas os principais métodos de prevenção de doenças. É indispensável que se adote um programa de limpeza e desinfecção abrangente e de uso rotineiro, visando a diminuição e manutenção de uma concentração baixa de microrganismos patogênicos no ambiente, dificultando, desta forma, a probabilidade de infecções.


A desinfecção consiste em controlar ou eliminar os microrganismos indesejáveis, utilizando-se processos químicos ou físicos, que atuam na estrutura ou metabolismo dos mesmos. Diversos são os desinfetantes utilizados em canis e clínicas veterinárias, como a amônia quaternária, dióxido de cloro, hipoclorito de sódio, entre outros. Contudo, estudos recentes vêm demonstrando a habilidade de certas bactérias em se adaptar e criar formas de resistir também a agentes desinfetantes, como o hipoclorito de sódio que é altamente empregado nas clínicas pelo seu baixo custo e eficácia (ESTRELA, CRA., 2000). Os desinfetantes são classificados pelo seu nível de ação: alto, médio e baixo:


- Alto nível: são os desinfetantes que podem eliminar quase toda forma de vida, incluindo até uma grande parte dos esporos (dependendo do caso). São recomendados para materiais semi-críticos.

Exemplos: glutaraldeído, ácido peracético e peróxido de hidrogênio.


- Médio nível: substância química que elimina bactérias vegetativas, micobactérias, a maioria dos vírus e fungos em um período de tempo de no mínimo trinta minutos, sem ação contra esporos bacterianos. É recomendada para artigos não críticos.

Exemplos: Formol, hipoclorito de sódio (dependendo da concentração e do tempo de exposição) e álcool 70%.


- Baixo nível: substância química que elimina bactérias vegetativas, alguns vírus e fungos em um período de tempo menor ou igual a dez minutos, sem ação contra micobactérias e esporos bacterianos.

Exemplos: quaternário de amônio, detergentes e hipoclorito de sódio em baixas concentrações.


Vale ressaltar que o nível de ação, e consequentemente a eficácia e espectro de ação, dependem do tempo de ação, da concentração do desinfetante e da correta limpeza prévia do material. É sempre necessária uma limpeza física (com escovas e esponjas, por exemplo) e química, com detergentes e sabão para retirada total da matéria orgânica, previamente à desinfecção.


O uso contínuo de um determinado desinfetante ou o manuseio incorreto, como a mistura de desinfetantes, pode neutralizar o seu princípio ativo e criar resistência dos microrganismos a esses produtos. Além disso, pode promover reações químicas que produzem subprodutos tóxicos, prejudicando a saúde do animal e a de quem está manuseando. Para garantir a eficiência da desinfecção e evitar o aparecimento de cepas de microrganismos resistentes a determinados desinfetantes é importante intercalar o uso de produtos com princípios ativos diferentes.

Na hora de escolher o desinfetante para uso na clínica, canil ou gatil, deve-se levar em conta alguns fatores:


- Espectro de ação: se atinge todas as formas bacterianas e de vírus (envelopados e não envelopados), além de fungos. Se tem ação contra esporos (dependendo do caso é necessário)


- Toxicidade: alguns desinfetantes são muito eficazes, porém são tóxicos. O aplicador deve levar isso em conta pela questão risco X benefício.


- Facilidade de uso: existem desinfetantes prontos para uso, ou que dependem apenas de

diluição em água, facilitando a aplicação.


- Tempo de ação: verificar quanto tempo é necessário para correta desinfecção do material.


- Custo X benefício: deve-se avaliar o custo do produto, e caso seja muito alto, checar se há necessidade de uso daquela opção.

Entende-se por manejo sanitário, um conjunto de medidas cuja finalidade é proporcionar aos animais ótimas condições de saúde. Essas medidas se baseiam principalmente na prevenção, podendo destacar os processos de limpeza e desinfecção como alguns dos procedimentos profiláticos. Tendo isso em vista, o manejo sanitário se faz necessário no programa de desinfecção das clínicas veterinárias, petshops, canis e gatis.


Escrito por: Paula Caldas


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