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Transtorno de acumulação de animais



O que é, qual a importância e como proceder?


O transtorno de acumulação de animais foi definido por Patroneck (1999) como “indivíduos que mantém muitos animais em um mesmo local em condições precárias, sem proporcionar-lhes o mínimo necessário para uma boa nutrição, saneamento e cuidados veterinários”. Normalmente, esse transtorno está associado à acumulação de objetos, roupas, jornais, lixo entre outros, de forma que o ambiente acaba perdendo a sua função inicial, ou seja, o indivíduo não consegue preparar alimentos na cozinha, dormir em sua cama etc.


Alguns estudos mostram que o perfil dos acumuladores de animais segue um padrão, mas, por se tratar de um distúrbio psicológico, pode acometer qualquer indivíduo, inclusive médicos veterinários e protetores de animais (SEDA, 2016). O tipo de acumuladores e suas características foram descritas por Patronek (2006) e Tavoloro & Cortez (2017) como:

  1. Cuidador sobrecarregado: o indivíduo tenta oferecer os cuidados necessários aos animais e os vê como família, tem consciência do problema e adquire os animais passivamente;

  2. Salvador com uma missão: o indivíduo acredita ser o único que pode cuidar dos animais, inicialmente praticando o resgate seguido de adoção, e adquire os animais ativamente;

  3. Explorador de animais: o indivíduo adquire os animais por necessidades pessoais (como exemplo para trabalho), é indiferente aos danos causados aos animais e os adquire ativamente.

Na grande maioria dos casos, o indivíduo acumulador não tem a intenção de prejudicar os animais e o transtorno pode estar ligado a algum trauma, perda de entes queridos, agressões, e outros agravos, o que reforça a importância de uma abordagem multifatorial, com atenção não só aos animais mas também ao indivíduo em situação de acumulação.


A identificação desses casos é de extrema importância uma vez que a acumulação de animais é um problema de saúde pública que é relativamente comum nas cidades, devido a diversos fatores como o abandono e o descaso com os animais. Somado a isso, a situação do ambiente e dos animais em acumulação pode significar mais um agravo à saúde pública, uma vez que nesses ambientes há um maior risco de proliferação de vetores de doenças, como as transmitidas entre os animais e os humanos (zoonoses), maior incidência de animais doentes, maior risco de incêndios e desabamentos, maior risco de acidentes como mordeduras, entre outros agravos, evidenciando o importante papel que o acumulador desempenha na saúde pública.


Diante da importância desse transtorno, como proceder em caso de suspeita de uma situação de acumulação?


A correta identificação de um caso de acumulação deve ser feita por meio de uma avaliação multidisciplinar, trabalhando através do princípio de saúde única e com equipes compostas por médicos, psicólogos, assistentes sociais, agentes comunitários de saúde, médicos veterinários, entre outros profissionais. Essa intervenção compete a órgãos públicos, como Equipes de Saúde da Família (ESF), Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e Centros de Controles de Zoonoses (CCZs), entre outros, de acordo com a regulamentação de cada município.


A população tem um importante papel em auxiliar os órgãos competentes na identificação dos casos, por meio de denúncias, além de fornecer auxílio com os animais, promoção das adoções, entre outras ações. Dessa forma, com a correta identificação e intervenção do transtorno, além das ações preventivas, é possível reduzir os casos de acumulação de animais e os problemas relacionados a eles, garantindo melhorias na saúde dos humanos, dos animais e do ambiente, promovendo assim a saúde única.


Escrito por: Camila Torres.


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