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Criadores pintando os céus do Brasil

O ser humano tem em si a necessidade de se ligar, seja uns com os outros, seja com a natureza ou com os animais. Especificamente aos animais e a natureza damos o nome de Biofilia. E como realizamos isso? Simples, vamos aos zoológicos, aquários, acampamos ou adquirimos pets. Contudo, há pessoas que são contra os zoológicos e a aquisição de animais silvestres, por ainda possuírem a mentalidade de que estes animais estão em cativeiro e não em ambientes controlados, que propiciam bem-estar, nutrição, cuidados e principalmente amor.

O Brasil comporta 10% de todos os seres vivos do mundo, possuindo espécies que se restringem somente a nossa região, como a Ararinha azul. Isso nos torna alvos do maior crime contra os seres vivos, o trafico ilegal, que retira das matas cerca de 38 milhões de indivíduos por ano e destes 9 a cada 10 morrem, devido aos maus tratos, transporte e densidade animal inapropriada. O tráfico, somado à destruição dos habitats foram responsáveis por situação de risco de várias espécies e extinção de outras. E o que podemos fazer para o combater?

Acredito que a melhor forma de combater o tráfico e também a extinção de espécies é sim pela criação de animais silvestres. Os zoológicos e criadouros comerciais, seja para pet, seja para abate, são de extrema importância e já realizaram feitos de tirar muitas espécies da lista de ameaçadas. O jacaré do papo amarelo, uma espécie que há menos de 20 anos estava ameaçada de extinção, graças a um manejo adequado e a criação para abate, possibilitou a reintrodução da espécie na natureza. A Arara azul de Lear, que há menos tempo estava extremamente em risco, atualmente, foi retirada de risco graças ao plano de conservação da ICMBio, que contou com a colaboração de criadores legalizados. O mico leão dourado, hoje em dia, foi reintroduzido no rio de janeiro e, graças aos estudos realizados na criação em cativeiro, tem tido sucesso reprodutivo na natureza. E, por fim, a espécie que está em risco e que possui somente 11 indivíduos adultos e 2 filhotes de poucos dias em Minas Gerais (2019), a Ararinha azul, endêmica da região norte do Rio São Francisco, está sob cuidados e manejo reprodutivo pelo criadouro Fazenda Cachoeira em Minas Gerais, esperando o sucesso desses filhotes para possibilitar a reintrodução futura e repintar o nosso céu com esse aquarela animal que só nós possuímos.

Enfim, os mantenedores e zoológicos são importantes para vida silvestre, pois a partir deles combatemos o trafico ilegal, criamos bancos genéticos e possibilitamos a recuperação de indivíduos no futuro. São programas de conservação ex situ (não intencionalmente), proporcionam uma educação ambiental/animal passivamente. Já os criadouros comerciais geram uma fonte de renda, porém acredito que nossos clientes e todos aqueles que criam estes animais, criam pois amam e querem se ligar a eles, enquanto nós vivemos e podemos nos conectar com eles e, principalmente, gera amor.


Escrito por: Rafael Lage Magalhães.

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